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Um belíssimo concerto!

ARTIGO

por Manoel Gomes Ribeiro
O Trio Modigliani (Foto: Divulgação)
O Dicionário GROVE de Música define música de câmara como “música adequada à execução em câmara ou aposento, geralmente instrumental. Os gêneros principais são: trio, quarteto, trio com piano, quinteto e mais raramente octeto e noneto, quando entram no conjunto também instrumentos de sopro.
Ludwig Van Beethoven e Robert Schumann foram os compositores escolhidos pelo excelente Trio Modigliani para sua apresentação na catedral de Valença em 23 de outubro, com as peças Trio Opus 70 do primeiro e Phantasiestuck Opus 88, do segundo.
A primorosa execução de ambas as peças, ecoadas na surpreendente acústica da Catedral, deixou os ouvintes encantados, mesmo considerando-se que esse tipo de música clássica é tido como de difícil aceitação pelas plateias em geral, que sempre preferem sinfonias, concertos para piano, valsas, etc.
Há que se destacar aqui a beleza do acabamento que o Trio deu especialmente aos movimentos lentos, que vão se esvaindo pouco a pouco até o seu tênue e quase inaudível final. Bravo!
A título de ilustração,  vale lembrar que a música de câmara teve grande aceitação nas cortes reais, bastando citar Beethoven com seus três “Quartetos Rasumovsky”, assim chamados em homenagem ao conde russo, melômano e que foi embaixador da Rússia em Viena, onde conheceu Haydn, Mozart e Beethoven; também Schubert  com o belíssimo quarteto “A Morte e a Donzela”  e com o quinteto  “A Truta”,assim denominado por lembrar em um de seus movimentos o saltitante peixe que nada contra a correnteza.
E a propósito da música de câmara, até tida como um pouco “sonolenta”, conta-se que Bach, ao visitar o Rei Frederico II na Prússia – ele próprio flautista amador e vítima de constante insônia – o monarca teria solicitado ao compositor alemão que compusesse uma peça para ser executada  pelos músicos da corte, a fim de lhe chamar o sono. Nascia, assim, a peça “Oferenda Musical” (Das Musikalische Opfer, em alemão), hoje uma das obras primas do músico.
Um fato curioso ocorreu durante o concerto: terminado o 1º movimento da peça de Schumann, que iniciou o programa, um ouvinte surpreso indagou-me: “não se batem palmas?”. Ao que lhe expliquei que não se deve aplaudir nenhum trecho da peça antes que ela chegue a seu final.
Boa pergunta. Acrescentamos então, que no terreno da música de ópera, aí sim, pode-se fazê-lo. Temos a ária,o dueto, o trio, o quarteto e até o sexteto, como é o caso de “Chi mi frena in tal momento” da ópera de “Lucia di Lammermoor”, de Donizetti, quando soprano, dois tenores, meio-soprano, barítono e baixo cantam em conjunto, fechando a cena sob aplausos. Os aplausos durante a apresentação de uma ópera são não só permitidos como até incentivados, como ocorreu em 1956 no Theatro Municipal do Rio, quando assistimos o baixo búlgaro Boris Christoff trisar a “Aria da Calúnia”, do “Barbeiro de Sevilha” de Rossini, atendendo aos insistentes aplausos da (culta) plateia de então.
Para terminar esta crônica, não podemos deixar de agradecer à Casa Léa Pentagna, através de sua diretora senhora Dilma Dantas M. Mazzêo e à secretária de Turismo, Daniele Luzie D. Mazzêo, que nos brindaram com este magnífico concerto do Trio Modigliani. Que o exemplo frutifique e que outros saraus venham a acontecer em Valença.