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Money (dinheiro)

por Samir Resende

Carro novo, caviar, sonhos acordados de quatro estrelas. Acho que comprarei um time de futebol para mim.



Conversando com um taxista, ele virou-se para mim e foi taxativo: - Valença chegou ao fundo do poço, não tem lugar pior na região, doenças, desemprego, buraco, escuridão e boca de fumo são as regras por aqui. Eu, como sempre otimista, logo intervi: - Que nada! Se cavar com força, a gente afunda mais um pouquinho.
Outro dia, uma revista jornalística de alcance nacional falou de Valença. Falou mal, infelizmente. Que vergonha para uma cidade e um povo como este. A galera anda com Saudades...  A VEJA cavou nossa fossa e levantou aquilo que já virou piada na internet: Valença é a terra das “fábricas que não fabricam”. Quem fabrica é a fábrica de Barra do Piraí, do mesmo dono, e que recebeu 172 milhões de reais do dinheiro público. Fora os dois terrenos doados pelo nosso prefeito e pelos vereadores.
Diz a providencial filosofia popular que de boas intenções o inferno está cheio. Quem vive a realpolítik sabe que devemos desconfiar dos discursos que não veem casados com ações e atitudes coerentes. O governador Sérgio Cabral nunca trabalhou, sempre enganou, mas, como tem muita gente que acha ele fofinho, que cuida de velhinho, bonitinho e moderninho (assim como acharam o Collor, o Aécio, e outros) a coisa ficou ruim para nós.
Numa briga de foice entre Cabral e Garotinho no panteão da desgraça, eu até acho que o segundo tem mais legitimidade que o primeiro. Messiânico e falastrão, o marido da Rosinha passa a mão na cabeça de um imenso e sofrido Rio de Janeiro que pede perdão a Deus por ser tão miserável. Já Cabral é a cara de uma elite deslumbrada, espetaculosa e perdulária que o carioca tanto gosta. Estamos pagando por nossa omissão enquanto povo, não estamos sabendo lidar com as liberdades deixadas por quem morreu nas ditaduras. Enquanto isso, a imprensa tenta nos convencer que o Coronel Hugo Chavez é o nosso bicho papão...  Bicho papão é a Dilma, sentada com Monsanto, Sarney, Gerdau, CBF, Eike Batista negociando nosso país “pros gringos visitar” na Copa.
Ser um povo e uma pátria livre não é fácil, é preciso forjar uma consciência de que somos classes subordinadas e subjugadas pela lógica do vil metal. Falta um ano para as eleições municipais. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo.