Rock do Diabo
por Samir ResendePra eu encher a minha pança
Dez quilos de alcatra
Com muqueca e esperança
O Diabo
O Diabo usa capote
O Diabo
Foi ele mesmo que me deu o toque...
Do jeito que as matas de Valença têm queimado, parece que a nossa cidade tá virando a sucursal do inferno. Corre o risco de qualquer dia, ao passar pela porta da Prefeitura, o valenciano dar de cara com o coisa-ruim em pessoa! (Tô falando do diabo).
Em que pese todo meu talento humorístico, mais uma vez vou falar criticamente sobre o que observo na minha aldeia (fazendo jus ao nome dessas prolixas e irregulares linhas). Nunca na história dessa cidade eu senti as coisas tão sem freio ladeira abaixo como agora, e isso depois de anos parados na esquina do abandono. Se Valença fosse um time do futebol se chamaria Flamengo e a cara da nossa sociedade perante os acontecimentos seria mais ou menos igual a do Ronaldinho Gaúcho.
Ninguém sabe mais quem manda nessa zorra, quer dizer, município; e enquanto o povão espera inocentemente que o “capitão nascimento” venha dar o “pede pra sair” à camarilha que se apoderou do Estado, as forças conservadoras vão se alinhando para as eleições do ano que vem. Mal sabe a escumalha que capitão é uma patente média, e se quisermos mesmo uma Revolução, devemos ir no gogó dos coronéis a quem estes capitães-do-mato batem continência.
Falando em patente, outro dia o “ex-general” Nelson Jobim perdeu o emprego de ministro da Defesa porque veio com uma frase sensacional na imprensa: “os idiotas perderam a modéstia”. E, como eu sempre joguei no time dos idiotas imodestos, me senti contemplado com este maravilhoso bordão. Já disse aqui neste mesmo espaço que não adiantar só culpar as autoridades se não fizermos o dever de casa da cidadania. E qual seria? Resgatar a discussão ideológica e de princípios sobre a cidade que queremos. Se é a cidade do meio ambiente, do ecoturismo, dos serviços de excelência em saúde, da educação de qualidade, da gestão democrática e transparente, do turismo histórico, da estância climática, da agricultura familiar, das indústrias de abastecimento regional... ou se é a cidade que temos: lixo, sujeira, buraco, queimada, boca de fumo, feitores na administração, compra de votos, calamidade na saúde, latifúndio, fábrica que não fabrica... E você nesta estória toda? De que lado você samba?
