por Gabriel Moreira
O que podemos esperar? Mais um ano que se foi e com ele todas as esperanças depositadas nos atuais governantes municipais se esvaíram e o que restou foram promessas e mais promessas não cumpridas – um exemplo concreto do que afirmamos é a cooperativa de produtores rurais anunciada pelas secretarias de Serviços Públicos e da Agricultura, que enganou umas duas dezenas de esperançosos agricultores e que por míseros quatro mil e quinhentos reais a serem pagos pela Prefeitura ainda não saiu do papel e para falar a verdade, prosperando o astral do seu idealizador, o agricultor Lourival Francisco, ela já faz parte do elenco das promessas não cumpridas, tão comuns desde que o atual Prefeito assumiu o comando do Executivo Municipal e, simplesmente não acontecerá. Outro ponto que merece destaque é o lamentável estado das estradas vicinais do município. Na maioria delas o que se observa é que são vias totalmente intransitáveis já agora quando o regime de chuvas pesadas somente se iniciou. E o que aconteceu, já que fomos testemunhas da ação da Secretaria de Agricultura em várias vias que agora não permitem a circulação de veículos? Não somos experts neste assunto e, para tanto, após visitarmos algumas localidades que padecem com o problema, resolvemos ouvir representantes da agricultura valenciana. Inicialmente conversamos com a produtora rural Marina Baia Duque, Técnica Agrícola, 24 anos - e que em sua propriedade, localizada na Estrada que liga Cardoso a Pedro Carlos, produz algo em torno de 350 litros diários de leite e a pergunta versou sobre a manutenção da estrada e a resposta foi incisiva:” Se os produtores rurais aqui da região não tivessem se unido e as custas de recursos próprios fizessem a recuperação e manutenção da estrada, agora toda a nossa produção estaria fadada a se estragar nos tanques de refrigeração como aconteceu no ano que passou, pois esperar que a Prefeitura faça a sua parte é o mesmo que acreditar em histórias da carochinha e veja que a solução não é nada mirabolante, bastando que a Prefeitura contrate um homem para tratar da “conserva “ da estrada o que já seria o bastante para atravessarmos com tranquilidade o atual período de chuvas”. Procuramos, a seguir, o produtor rural Ildefonso Moraes, e a pergunta foi a mesma, agora com relação à estrada do Paiolinho e a resposta não tardou: ” O Sr. sabe quanto a Prefeitura gastou na reforma da estrada? Eu não sei o valor, entretanto, foi muito dinheiro. E o que aconteceu? indaga o entrevistado e ele mesmo responde – bastou que uma chuva mais forte acontecesse para que a enxurrada levasse tudo de roldão – e o motivo? esclareceu– não cortaram as águas; não limparam as bueiras; não revisaram as canaletas e as águas sem controle acabaram com tudo como todos podem observar. E qual a solução? Foi a pergunta seguinte. A resposta do Sr. Ildefonso – 76 anos de pura experiência - foi clara: Ao invés de usarem uma dinheirama em obras sem planejamento, se nós tivéssemos dois homens permanentes cuidando da “conserva”, nada disso teria acontecido. Enquanto isto ocorre nos nossos domínios, destacamos dois tópicos do recente artigo do jornalista Xico Graziano a propósito do espetacular resultado da agricultura brasileira no cálculo do PIB – Produto Interno Bruto: “Os agricultores passaram um bom Natal. E agora se preparam, animados, porém receosos, para a passagem do ano. Acontece que, para a turma do campo, 2011 pode ter sido o melhor ano da história agrícola recente do País. Deixará saudades. Uma pista apareceu, noutro dia, na divulgação, pelo IBGE, dos números sobre o crescimento do PIB nacional relativos ao terceiro trimestre do ano. Enquanto a indústria e o comércio recuaram, a agropecuária cresceu 3,2%, segurando o rojão da economia. No acumulado do ano, tudo indica um salto de 6% no PIB rural, envolvendo tanto o ramo animal (pecuária) quanto o ramo vegetal (agrícola).” E, concluindo o seu artigo afirmou: Um dia, pois a esperança nunca morre, a sociedade inteira descobrirá esta vantagem, a modernidade da roça. E passará a tratar o agricultor nacional com o respeito que, afora amargarem pelo passado, merecem os construtores do futuro”. Artigo de Xico Graziano, publicado no Estado de São Paulo , em 27.12.2011 O que mais nos entristece, para concluir, é que os exemplos de estradas sem condições de uso são repetidos em todos os distritos e que a atividade agrícola em Valença esteja entregue à própria sorte, malgrado os números apresentados para o setor em todo o Brasil, e destacados pelo IBGE no ano que passou e para o qual o agricultor valenciano poderia ter contribuído muito mais se houvesse uma política de incentivo para o setor.