por Gabriel Moreira
A agricultura em Valença – o que podemos esperar? (Parte dois) – Confesso que por esta não esperava. Esclareço: após a edição da nossa coluna anterior, eivada de pessimismo e desilusões, acreditava piamente que não retornaria ao assunto tão cedo. Ledo engano. Bastou que ouvíssemos a nova entrevista do deputado André Corrêa, na FM, para, imediatamente, o assunto voltar a nos perseguir e, agora, iluminado por uma tênue luzinha de esperança. E o motivo de tudo isto foi uma simples frase, entretanto uma emblemática afirmação, segundo a qual dentro das três prioridades a serem perseguidas pelo nosso representante na ALERJ, na atual legislatura, “o agronegócio será uma delas”. O som desta afirmativa soou como música aos meus ouvidos e, certamente, o mesmo aconteceu com todos aqueles que identificam nesta atividade a maior e verdadeira vocação do valenciano. Produzir alimentos – uma divina atividade, tão desmerecida, tão desacreditada, tão desrespeitada e que, como num passe de mágica, ressurgiu como uma grande solução em termos de geração de emprego e renda para o nosso povo, tão acostumado às promessas não cumpridas, aos clichês sempre utilizados nas campanhas políticas e que nada de bom acrescentam, muito pelo contrário, agridem a inteligência até dos mais crédulos. Voltando à fala do deputado, faço coro quando ele afirmou que “a Secretaria de Agricultura deveria estacionar na porta da Chinezinho com tratores e caminhões a serem alocados às propriedades dos pequenos agricultores que estão se preparando para serem fornecedores constantes desta empresa que, em sua linha de produção, consome, integralmente, produtos gerados no campo”. Já aí, permito-me um pequeno comentário: esta é uma verdade irrefutável para qualquer administrador que esteja verdadeiramente preocupado com o desenvolvimento de Valença o que, lamentavelmente, não é o objetivo final do atual Executivo Municipal e os fatos que se sucedem quase que diariamente o afirmam. Mas vamos voltar à “vaca fria” para ficarmos bem inseridos no contexto: temos instalada em Valença uma empresa que apostou no potencial do maior município do RJ em termos de área agricultável e, aliado aos favores da conhecida Lei André Corrêa, para cá se transferiu e abriu suas portas para o produtor rural e está aguardando até hoje que eles digam presente e, neste particular, é bom que fique bastante claro que ninguém pretende que o produtor rural deixe de tirar leite em sua propriedade: o que se quer, na verdade, é que se inclua nas atividades normais da propriedade a alternativa da produção de alimentos, culturas rápidas e que dão uma boa rentabilidade. Neste particular, alguns produtores já entenderam a mensagem e estão se dedicando a trilhar novos rumos, diversificando e se preparando para fornecer à empresa algo em torno de uma tonelada de pimenta por mês, já agora, na presente safra. É muito? Não. Ainda é muito pouco em razão da nossa potencialidade, mas, sem nenhuma dúvida, é um bom começo. Por outro lado, buscando maiores esclarecimentos para serem levados ao homem do campo, indagamos do deputado André Corrêa sobre a Lei de redução do ICMS para empresas que ainda pretendam se estabelecer em Valença, tendo por base recente decisão do STF sobre a conhecida “guerra fiscal” em todo o território nacional. Ela está em vigor? Indagamos e a resposta foi alentadora. Segundo André Corrêa, tudo está como antes e novas empresas para aqui poderão se deslocar. Esta simples afirmação é o bastante para incentivar-nos ainda mais, nesta cruzada que visa resgatar a autoestima do produtor rural com o surgimento de novas oportunidades de negócios e que venham novas empresas produtoras de alimentos, pois vontade de trabalhar é que não falta. Entretanto, isto está por pouco, por muito pouco mesmo e a certeza que fica é que os atuais destruidores de sonhos voltarão para onde nunca deveriam ter saído e o produtor rural continuará aqui, trabalhando e buscando novos horizontes. Que venham novas empresas que tenham no agronegócio sua base de sustentação. A comunidade agrícola valenciana os espera de braços abertos e muita terra para ser alocada a produção.