por Gabriel Moreira
...VALENÇA ENVOLTA NUM MAR DE CORRUPÇÃO. Confesso que este seria o último título que eu desejaria utilizar para iniciar minha coluna semanal que tem por objetivo primeiro falar sobre as coisas de Pentagna. Confesso, mais, que envolvido pelos festejos em louvor ao nosso santo padroeiro São Sebastião, muito me esforcei para buscar assuntos que fossem pelo menos de esperança. Confesso que por mais que procurasse, somente esbarrei com o silêncio irresponsável das autoridades municipais na possível justificativa quanto a chacina da qual foi vítima doze árvores adultas, impiedosamente abatidas, sob a chancela, segundo se propala, da Sub Secretaria do Meio Ambiente. Confesso que gostaria de exaltar o sucesso da nossa festa e nem isto vou poder fazer por ter presenciado uma festividade fria, encolhida, pequena, moribunda mesmo, tudo fazendo crer que o desejo maior dos seus organizadores é que ela rapidamente passe a compor o elenco de simples lembranças daquilo que outrora acontecia entre nós e que já não existe mais. Confesso, finalmente, que tudo que era pessimismo, ficou ainda pior quando ao compulsarmos a edição 246 do nosso jornal nos deparamos com a manchete, e que senhora manchete, diga-se de passagem, que lamentavelmente nos dava notícia de que Valença finalmente se rendia ao clima que paira por todo o Brasil de Norte a Sul e de Leste ao Oeste e mergulhava solenemente no sombrio mar da corrupção. Por um momento nossas mais profundas preocupações com as coisas do nosso distrito tornaram-se pequenas, face ao vulto daquilo que era noticiado no nosso jornal e neste momento, fazendo um exercício de memória, retornei há pouco menos de um ano quando começaram a circular insistentes boatos em Valença segundo o qual a maioria das empresas que para aqui vieram buscando os favores da lei de redução do ICMS, estendida à nossa terra por força de uma Emenda do Deputado André Corrêa à conhecida Lei Rosinha Garotinho, que originalmente fornecia a redução do tributo para quem viesse a se instalar em algumas localidades da região Norte Fluminense, estariam usando suas instalações para simplesmente ser um ponto de emissão de notas fiscais beneficiadas com os incentivos obtidos, sem gerar os empregos que era a contrapartida exigida para os empresários que por aqui viessem a se instalar. A este respeito contatei pessoalmente o Deputado que foi enfático em desmentir qualquer fato que confirmasse os boatos que corriam, particularmente na comunidade da Rua dos Mineiros e garantia que estava vigilante para impedir que isto viesse a ocorrer. Lamentavelmente, agora se constata que a vigilância prometida não foi eficiente, visto que denunciado e provado se vê que de todos os empresários que para aqui vieram, aquele que é o mais próximo da cúpula do Governo Estadual do Rio de Janeiro, estamos falando de Ronald de Carvalho, foi, justamente, quem perpetrou a maior evasão de receita em nome dos incentivos obtidos, cerca de 47 milhões de reais, segundo se noticia, e que para ele “ não é nada de mais”, pois produzir num município onde o ICMS é cobrado na razão de 19% e faturar por outro onde por força de incentivos obtidos, o mesmo tributo atinge somente 2% é normal. Infelizmente no Brasil de hoje para uma determinada classe de empresários que gozam dos favores e da proteção dos governantes, sejam eles da esfera federal, estadual ou municipal, tudo isto é muito normal, entretanto, compete a nós, pessoas de bem, o direito e mais do que isto o dever de cobrar das autoridades constituídas, providências e providências sérias sobre tudo que está acontecendo. Incumbe ao Deputado André Corrêa, o maior beneficiário político da propalada lei de redução do ICMS, muito mais do que a edição e publicação de uma simples nota sobre o assunto, fazer valer a sua condição de Líder do Governo na ALERJ e vir a fundo na apuração dos fatos, inclusive, não seria nada demais que se criasse uma CPI na Assembleia Estadual para a apuração do denunciado. Compete ao Governador e ao Vice-Governador, ambos na condição de amigos do empresário sonegador, esclarecer claramente o problema. Compete ao Ministério Público a apuração completa de tudo que envolve e negociata denunciada. Compete ao Tribunal de Contas do Estado dar uma satisfação pública sobre os contratos firmados entre a empresa, pseuda fraudulenta, e o Governo do Estado. Compete, finalmente, aos Senhores Vereadores de Valença se posicionarem firmemente, a semelhança do que na primeira hora já foi feito pelo vereador Zan, para exigir o respeito que a população valenciana, particularmente aqueles que precisam trabalhar e necessitam dos empregos que foram prometidos e negociados com os empresários que aqui chegaram. Compete ao Prefeito Vicente Guedes vir a público esclarecer os fatos até o seu nível de competência, até porque ele é um daqueles que gozam do irrestrito apoio e da amizade dos agora denunciados e compete, ao fim, que nós, o povo valenciano, tido e havido como um povo cordeiro que se curva a tudo e a todos dar um brado de revolta e exigir uma satisfação pública de todos os envolvidos .