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Pesquisadores concluem que solidão faz mal à saúde

por Diego Lobão – estagiário JL
Nada como uma boa conversa para  espantar os males (Foto: Ricardo Reis)
Depois de declarar o cigarro, a bebida e a falta de atividades físicas fatores de riscos para a vida, cientistas agora advertem: solidão faz mal à saúde. O estudo analisou o histórico de bem-estar de mais de trezentos mil idosos que lutavam contra alguma doença grave. O tempo de sobrevida de quem tinha amigos foi 50% maior. Comparando a outros estudos, os pesquisadores concluíram que o isolamento é um fator de risco tão grave quanto o tabagismo e o alcoolismo. E mais perigoso do que a obesidade e o sedentarismo./fim-publico
Geralda Beatriz de Moura, 66 anos, contou que quando esteve hospitalizada em 2009 por problemas de enxaqueca e depressão, a presença da família e dos amigos foi de suma importância para a sua recuperação. “Estou sempre junta de quem eu amo. Meu filho, que mora em BH, me liga sempre e fala que me ama”. Maria do Carmo Lara, de 87 anos, não pode dizer o mesmo. Ela disse que não tem filhos, somente à irmã de 92 anos. “Penso que foi ingratidão de um parente meu. Ele não vem me visitar”. Maria afirmou que não gosta de viver sozinha e que chora, às vezes.
Já o aposentado Devanil Moreira Coelho, 71 anos, está de bem com a vida. Ele ressaltou que tem mais de quarenta colegas de praça. “Rapaz, tem coisa melhor do que ter uma prosa com os amigos. Quem não gasta de falar sobre mulher, viagem e família!”. Devanil lembrou que, certa vez, sofreu AVC e contou com apoio financeiro dos seus entes queridos.
Amizade x solidão
A psicóloga clínica Bruna Ferraz acredita que a amizade compreende sentimentos de conforto, confiança mútua, solidariedade, lealdade, sinceridade, compaixão e amor. “Poderia ficar muito tempo citando sentimentos bons que brotam da amizade”. São os amigos, na maioria das vezes, que ajudam na superação de decepções, problemas, doenças, que encorajam e que perdoam.
As pessoas que compartilham essas sensações, segundo ela, se sentem seguras, mais confiantes e, consequentemente, mais felizes. “E quando as pessoas se sentem felizes, elas têm mais disposição, se tornam mais produtivas, aumentam sua capacidade de amar, fazem mais planos e projetos de vida, são mais otimistas, esperançosas, mais bem humoradas e os bem humorados têm maior capacidade de armazenamento de energia e suportam melhor as tensões”.
Nobres sentimentos
Bruna lembra que, quando a pessoa se sente querida e dedica amor desinteressadamente, há um fortalecimento de vínculos sociais, uma ampliação da comunicação e multiplicação de valores, ou seja, cria-se uma corrente de benefícios em constante expansão. “E influencia em tudo na vida, no sucesso profissional, na tomada de decisões, no relacionamento com o parceiro. Existe uma frase, tema de um filme, que fala um pouco sobre isso. ‘A felicidade só existe quando é compartilhada’, do filme ‘Na natureza selvagem’ (Into the Wild)”.
Ela explicou que a endorfina é um neurotransmissor, produzido pelos neurônios e tem uma potente ação analgésica, que, ao ser liberada, estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhora o estado de alegria e de bom humor. “Se sentir bem, fazendo o que gosta e estar ao lado de pessoas queridas, sem dúvida alguma, são estimulantes desse hormônio, considerado responsável pela felicidade”. O estado de alegria, bom humor e prazer são compatíveis com a saúde. A psicóloga aponta que existem estudos científicos que comprovam a relação da felicidade com o processo de cura de doenças. “Pessoas otimistas com câncer tendem a alcançar a cura em maior número que as pessoas pessimistas com câncer, realizando, ambas, o mesmo tratamento”.
Segundo ela, pessoas solitárias que não compartilham suas experiências, não se sentem queridas, tendem a viver menos, porque não possuem motivação, não constroem vínculos e não possuem sentido para suas vidas. “Os solitários tendem a adoecer com mais frequência, pois suas células são menos estimuladas no campo da energia vital”.