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A felicidade eterna é um grande engodo

por Neumar Rodrigues
Gostaria muito de saber um pouco mais sobre como se constrói um modelo ideal de vida.  Teoricamente aprendemos o que nossa família nos fornece e buscamos aprender crenças, valores e experiências pessoais. Esta construção é nosso patrimônio, que nos confere um modo de ser, de viver, de olhar para as situações de vida e desenvolver estratégias para lidar com os acontecimentos do dia a dia. Nossa construção de vida nos dá referência de nós mesmos, da nossa história pessoal e nos fornece um sentido de identidade.
 A maneira como percebemos o mundo em que vivemos, acaba formando nosso conceito em relação ao nosso ambiente social. Isso parece nos trazer segurança, uma consistência diante das situações de vida. Podemos ser mais rígido ou mais flexível, dependendo de nossas crenças pessoais e nossa vulnerabilidade afetiva. Por exemplo, caso eu acredite que   mudar é saudável, renovador e de coragem, é possível que a construção de um autoconceito seja mais provável em minha vida. Contudo, se meu desenvolvimento foi marcado por padrões de que mudar significa ser incerto e imaturo, é bem provável que alterar minha maneira de pensar, sentir e agir seja mal vista por mim mesmo.
 Por várias vezes sentimos na carne que a vulnerabilidade afetiva também exerce um papel fundamental. A insegurança  pessoal acaba assumindo posições rígidas. E produzem traumas, processos depressivos e nos tornam mais negativistas e resistentes. A vida é fluxo, quando fluí a saúde se estabelece, tanto física como psiquicamente.
O importante é compreender que por vezes construímos percepções, conhecimentos, interpretações da realidade e de nós mesmos, que se tornam rígidos e resistentes a mudança. E queremos manter nossa estrutura, nosso autoconceito a qualquer custo. A crise e o sofrimento representam o conflito com o conhecimento do passado. E ter de responder ao novo, as velhas estratégias de lido com a vida, mostram-se impotentes para criar resultados pretendidos.
 Eu sei e você também sabe que não é verdade que somente o prazer nos traz a felicidade eterna. Isso é um grande engodo.
A felicidade pressupõe uma construção que não se esgota no presente. Já o sofrimento deve ser examinado como oportunidade e desafio para aprendermos a lidar com situações novas, aperfeiçoando nossa inteligência e o desenvolvimento emocional na crise. Mesmo procurando saber como poderei viver melhor com meus próprios conflitos, de uma coisa eu tenho a mais absoluta certeza: o amor e o sentido de família é que nos une. E é um começo de modelo de vida ideal. Inicie seu filho assim.