Doze árvores e um destino
por Neumar Rodrigues
A rede de esgoto (rede de esgoto?) em Pentagna é uma grande piada. Entra governo e sai governo e a merda continua a mesma. Pelo menos naquele distrito turístico (?), que anda às moscas, com ruas sujas, lixeiras literalmente “pregadas” em algumas árvores (outro crime ambiental) que ainda sobreviveram. As manilhas de barro foram fincadas quando a minha saudosa vó Rosa começava a menstruar. Essas manilhas, finas e velhas, foram se deteriorando com o tempo. Claro! Mas culparam as doze árvores e suas raízes... Agora me pergunte, amigo leitor: trocaram a tubulação? Nada, nem um metrinho. E no ponto onde aconteceu o entupimento, simplesmente desviaram a merda para uma fossa que encontraram pela frente, para a surpresa geral.
O Cartão Postal que avistamos na entrada de Pentagna, ao lado da cachoeira, tem os seguinte dizeres: Estação de Tratamento de Esgoto”. Um tubo gigante, com letras enormes para chamar a atenção como se fosse uma obra limpa. Coisa de uma política fedorenta que achou que “aquilo” poderia render votos. E o povo jamais foi ouvido se queria aquilo naquele local, se aquilo seria a solução para que pudéssemos voltar com nossos filhos e netos para um banho numa cachoeira hoje altamente poluída porque o “treco”, que deveria tratar o esgoto, não funciona ha muito tempo. E a merda vai direto para as águas que um dia foram cristalinas. Já imaginaram a quantidade de coisa é jogada no rio (que é chamado de Rio Bonito) quando a Colônia de Férias está lotada? O povo deveria pegar aquele enorme tubo e “entubar” goela abaixo dessa política do faz de conta de Valença. É revoltante, me perdoem. Geralmente me apresento aqui falando de coisas boas, de alguma coisa que poderia melhorar nossas vidas. Além das coisas do coração e da alma. Mas esse crime ambiental praticado em Pentagna não deu para segurar minha paciência. Me perdoem!
Pentagna, assim como outros vários distritos de Valença, me parece feudo de “feudorentos”, que acham que podem tudo. São blindados, intocáveis - porém criminosos com o povo que os alimentam. E agora, também, criminosos da natureza. E vai acontecer alguma coisa com eles? Cadê os naturalistas? Cadê os órgãos do governo que são pagos para fiscalizar abusos e crimes ambientais? Cadê o Ministério Público? É... as raízes das árvores estavam destruindo tudo..Vão replantar? Falem alguma coisa! Se expliquem! Mais uma que caminha para o esquecimento...
Doze árvores e um destino. Elas não estavam secas e não ficavam no meio do caminho... Elas descansavam nossos olhos. Acho que, por ironia do destino, as árvores choraram quando viram que o cabo do machado era feito de madeira... Meu Deus, seja qual for o meu destino, mesmo que a dor meu coração destrua, não me faças traidor, nem assassino, nem cortador de árvores da rua.
