Sonhos dentro da dimensão do tempo
por Neumar RodriguesTio Lelé tinha um humor refinado e um coração de criança. Sua esposa, tia
Quininha, por vezes chegava com a broa de milho feita no forno a lenha. Eu, criança, buscava o pedaço maior. Tio Lelé e tia Quininha, na verdade, não eram meus tios. Mas todos lá os chamavam assim. Cresci com mais saúde graças ao leite, as frutas e os remédios caseiros do casal. Eu e mais um monte de gente.
Mas em Pentagna também teve uma outra pessoa marcante em minha vida. Ele foi batizado com o nome de Walter Alencar Esteves, conhecido e chamado pelo apelido de Cutuquinha. Comerciante de profissão, ele foi um verdadeiro pai.
Participou diariamente de todos os momentos da minha família. Quantas vezes nos socorreu, quantas vezes nos orientou com sua sabedoria de mestre...Tempo lindo em que a minha família, pobre demais, teve a honra e a gratidão de ser ajudada em vários momentos por ele. Jamais esqueceremos de você, Cutuquinha!
Acho que cresci antes do meu próprio tempo. E, com isso, o tempo acabou entrando vigorosamente na minha vida, para nunca mais me deixar. As lições que daí aprendi trago até hoje. E minha gratidão aos que me ajudaram a crescer é eterna.
Os anos passaram, outros anos vieram, com muitos sonhos realizados. Quanto mais à idade avança, mais o danado do tempo insiste em acelerar. Êta, tempo teimoso, pois quando eu insistia para ele passar rápido lá vinha ele me contrariando e agora faz o caminho inverso de mim. Restará o consolo de que quando os impulsos aos poucos forem me abandonando se abrirão as portas para a sabedoria, grande herdeira da experiência.
