Café, petróleo e FAA
por Hélio SuzanoO café que dominava nossas montanhas e tornou poderosa econômicamente toda a região dos barões do café, predominou por décadas mantendo-se escravagista e rudimentar, cego aos avanços e as tendências mundiais, naufragando na miopia monárquica de seus estrategistas.
Mais tarde, desembarcou em Valença a nal de italianos trazendo consigo o ciclo têxtil que gerou milhares de empregos. Parecia uma nova chance para planejar o futuro investindo em soluções e caminhos. Que nada: mais uma vez tropeçamos no imediatismo e na ausência de visão estratégica. Sucumbimos a mais uma depressão motivada por ciclos externos sazonais que poderiam e deveriam ter sido detectados com antecedência.
Como se vê, a questão que aflige agora os royalties e seu legado é antiga. O Estado do Rio e seus municípios esbanjaram esta dinheirama por décadas, sem se preocuparem com investimentos estruturais estratégicos e com melhorias para a vida da população. Se deliciaram deste manjar incrementando basicamente, a burocracia governamental, as mordomias e os disperdícios. Agora, com essa covardia pairando no horizonte, se dão conta que não fizeram o dever de casa.
O mesmo pode voltar acontecer agora com o legado da FAA. Valença nunca aceitou a posição secundária de coadjuvante dos acontecimentos. Foi assim que Dom André e mais um grupo de visionários, empreenderam aquilo que seria uma das mais importantes instituições de ensino superior do Brasil. Uma fundação “sui generis”, formada pela sociedade organizada, Igreja, maçonaria, com o fim de levar adiante uma entidade filantrópica, democrática e independente, que não tem dono.
Com tenacidade, a FAA tem sobrevivido às intempéries e percalços. Suportou as caóticas ingerências políticas, a febre do ouro dos interventores, aos arroubos golpistas e a voraz cede dos políticos por bolsas e vantagens. Sofreu com os ataques vindos de forças ocultas contra a Medicina, e sobreviveu aos ataques malediscentes de irresponsáveis que ignoram a catástrofe que seria seu fim para Valença. De pé continuou, sendo golpeada, agora pelo mercadão de faculdades que se multiplicam ao nosso redor, oferecendo preços, cursos dos mais exóticos e todo tipo de atrativos que só uma empresa sem as amarras legais e filantrópica é capaz de oferecer.
Mas, seu maior desafio é manter aberto a toda população do sul do Estado o Hospital Escola. Para mensurar sua importância, ele atende cerca de 70% da demanda de procura por saúde em Valença (site FAA). Essa não seria sua missão legal e conceitual, que preconiza atender alunos na sua preparação, nos limites e parâmetros préestabelecidos. Fechar suas portas aos que o procuram seria um desacerto moral e ético inadimissível para qualquer um. Diante desta situação, estes encargos vão continuar onerando seus cofres. Um prejuízo mensal que põe em risco toda a entidade.
Verdade seja dita, o dep. André e o presidente da Câmara já vinham vislumbrando esta urgência quando, no início do ano, buscou-se viabilizar a fusão dos serviços da Santa Casa e do Hospital Escola com aporte financeiro do Estado e União. Mas, pelo que assisto, não engrenou.
Nenhuma empresa gera tantos empregos, riquezas e prestígio para Valença como a FAA. Tudo isto para dizer que é chegada a hora de superar as diferenças. A questão da fusão Santa Casa e Hospital Escola tem que ser enfrentado com coragem. O modelo das Santa Casas, independentemente da generosidade e dedicação da Irmandade e Provedoria, é anacrônico e não atende mais as necessidades legais e gerenciais.
Questões pessoais, políticas, defeitos, erros e irregularidades devem ser apurados, extirpados ou corrigidos. Não podemos é deixar morrer o sonho.
Ou preferem que morramos abraçados?
