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Trotes estão atrapalhando os serviços de emergência de Valença

por Sandro Barra
Na PM, as brincadeiras são constantes (Foto: Sandro Barra)
Quem precisa de um serviço telefônico de urgência e emergência sabe bem o quanto o assunto é sério. Mas tem gente que brinca com o 190, 192 e 193.  De acordo com dados da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do serviço de atendimento com ambulâncias, a maioria dos trotes são passados por crianças, nos intervalos e saídas das aulas, de seus celulares ou de telefones comunitários (os chamados orelhões), mas adultos também praticam a imprudência. Enquanto utilizam, sem necessidade, as linhas de urgência, pessoas que estão querendo ligar para resolver problemas são prejudicadas, em razão dos telefones estarem ocupados indevidamente.
Para as autoridades, o trabalho de prevenção aos trotes começa pelo treinamento dos atendentes, que é continuado. Para descartar a possibilidade de trotes, o atendente faz uma série de perguntas. A orientação é que, em caso de dúvida, uma viatura é deslocada para o local da chamada. Recentemente, um trote passado para a Polícia Militar e para o Corpo de Bombeiros e, até mesmo, para a reportagem do Jornal Local, de que um grave acidente envolvendo dois motociclistas na RJ-145, no bairro da Varginha, fez se deslocar para o local cinco veículos. Segundo ainda as autoridades, as crianças, adolescentes e até mesmo alguns adultos, são os principais responsáveis pelos trotes. Os horários que antecedem a saída e a entrada das escolas são os mais usados por eles para efetuarem as ligações. Nos meses de julho, dezembro e janeiro, época de férias escolares, a irresponsabilidade cresce, comprometendo o serviço prestado à população.
Além do deslocamento de guarnições, o trote impede que ocorrências reais sejam atendidas naquele mesmo momento. A reportagem do Jornal Local conversou com o rádio operador da 3ª Companhia de Polícia Militar, sargento Carlos Henrique, que disse que a brincadeira de mau gosto congestiona o serviço e já levou ao deslocamento em vão de viaturas, prejudicando assim o trabalho da polícia. A pessoa que passar trotes poderá responder por comunicação falsa de crime ou de contravenção, que prevê de um a seis meses de prisão ou multa. Segundo ele, a população é a principal vítima dos prejuízos decorrentes do acionamento indevido dos serviços de emergências.
“Em média, 80% das ligações são trotes: boa parte do nosso trabalho é dedicada a atender essas brincadeiras. O trote também pode causar graves problemas: quando recebo uma ligação solicitando a Polícia, entro em contato imediatamente com uma rádio patrulha, que se desloca até o local da solicitação. Quando os policiais chegam ao local, às vezes, não tem ninguém. Foi mais um trote e, na mesma hora, outra ocorrência de verdade pode estar acontecendo e a viatura acaba chegando tarde. Em alguns casos, a população não entende, por que o atraso da Polícia”. Pela experiência, o PM lembra que, dependendo da ligação, ele conversa com o solicitante e fazendo perguntas, acaba descobrindo que é um trote. Mas, para averiguação, acaba tendo que mandar a viatura para o local.
“Solicito aos pais que orientem a seus filhos e, nos colégios, que as professoras conversem com os alunos, pois eles podem contribuir e muito para que as crianças não fiquem ligando para o 190”. Segundo ainda o sargento Carlos Henrique, um problema que vem acontecendo e prejudica são as ligações, através dos aparelhos celulares, que devido a erro de algumas operadoras, as ligações acabam caindo em cidades da região como Barra do Piraí, Vassouras, Petrópolis e outras.
No Destacamento 2/22 do Corpo de Bombeiros Militar, enquanto a reportagem aguardava a chegada do major BM Valério Jannuzzi, para entrevista, alguém ligou para o telefone 193 cinco vezes seguidas, colocando música e atrapalhando o trabalho dos bombeiros, além de uma ligação de Volta Redonda para o destacamento da cidade, por falha de operadoras, acabou caindo no destacamento de Valença.  O major Jannuzzi disse que, depois que a imprensa vem fazendo solicitação para que as pessoas não passem trotes, os mesmos diminuíram bastante. “Os trotes que tiram as viaturas do quartel solicitando socorro são poucos: o que acontece muito é que crianças ou também adultos acabam ligando para o telefone de emergência, impedindo que uma ligação séria possa ser feita, pois nesse caso a linha fica presa e a partir do momento em que a ligação é recebida, já há um empenho de toda a equipe. O deslocamento de uma viatura para atender uma falsa ocorrência gera tempo perdido, desgaste dos bombeiros e gastos com combustível”.
O sargento BM dos Santos, além de atuar como rádio operador, também acha um absurdo essas brincadeiras que causam grandes e graves consequências à cidade. Joaquim Gomes, um dos responsáveis pelo serviço de solicitação de ambulâncias também reclama dos trotes. Segundo ele, em média, são de cinco a dez trotes por dia, para o telefone 192. Em sua opinião, é muito difícil os adultos passarem trotes solicitando uma ambulância: as crianças é que acabam ligando para falar besteiras, querendo conversar, entre outros assuntos. Os motoristas das ambulâncias sofrem com essas brincadeiras. “Às vezes, uma ambulância chega a ir longe procurando o local da solicitação e acaba não encontrando nada. A ambulância é uma viatura que a toda hora é solicitada e não pode ser usada para esse tipo de finalidade, que acaba atrapalhando todos os munícipes”.
Crime
O Código Penal Brasileiro considera crime, passível de um a três anos de detenção e multa, o acionamento indevido de serviço de socorro. Com base no artigo 266, “interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou dificultar o restabelecimento resulta em pena”. A pena pode ser dobrada se o crime ocorrer em períodos de calamidade pública. Além de aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, os atendentes também tentam descobrir, por meio de perguntas, se o relato é verdadeiro. Nos casos de trote, geralmente, a pessoa cai em contradição. Quando a ligação é feita de um telefone fixo ou público, o sistema consegue rastreá-la. Como a maioria dos contatos é feito por telefone celular, fica mais difícil saber de onde a ligação foi originada. Continue lendo no Jornal Local.