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“A luz do céu de Valença”

por Mima
Não sou natural de Valença, como alguns já sabem. Não filha documentada em certidão de nascimento, mas filha de coração, por opção. Faço questão de reafirmar isto, sempre que posso. Filha sim de valenciano, que adorava especialmente alguns pedaços de sua terra natal, a Fazenda Pau D’Alho, o Centro de Conservatória, além da Charneca, por onde também morou em menino e a Água Fria, bairro na sede do Município, onde a maioria de seus sobrinhos se fixou. Cresci aprendendo dar valor a estes locais... Evento: Festa de Nossa Senhora da Glória, claro! Que queríamos fosse festejada não só no entorno da Catedral, por quinze dias, mas em todos os Distritos, com banda de música e tudo mais, assim poderia passear por aqui o mês inteiro, falo dos meus tempos de menina, quando a visita a cidade era anual, para a festa da padroeira. Houve época em que a família vinha de trem, e estendiam o passeio a Coronel Cardoso, para visita a família dos padrinhos de meu pai, mas não peguei esta fase, não era nascida. Quando vinha, era de Chevrolet de Luxe... Muito engraçado, carrão antigo, dos anos 50, que meu pai adquiriu só no final dos 60, beberrão, adorava gasolina azul, lembram dela? Com pintura de duas cores, azul claro e teto creme ou branco, já não me lembro da cor. Depois foi a fase do Fusca 67, este grená. E depois a Brasília 73, ocre Marajó, o Chevette 81 branco... e por aí vai. Muitas vezes subimos do Rio, para cá (na fase do Fusquinha) e neste período, não podíamos deixar de pegar a estrada empoeirada para Conservatória, afinal, rodar por suas duas ruas principais, sempre foi um luxo. E me sentia especialmente dentro do cenário de um filme antigo e quantas estórias minha cabecinha ia imaginando e sonhando e querendo viver. Hoje eu vivo parte deste sonho!
Então acordei nesta manhã, com uma frase na cabeça. Sou saudosista, apaixonada por uma instituição chamada família. E acho que isso aconteceu porque andei levando umas cipuadas estes dias atrás, derramei rios de lágrimas (tão dramática), mas contando parece pouco... Nem quero contar, talvez nem deva, mas a causa eu posso sim, tudo porque ganhei um presente, um computador portátil, pra facilitar minha vida, meus estudos, agilizar a preparação dessa coluna... Enfim, apanhei de chicote afiado, porque nem todos sabem o que é amor entre familiares. E tenho dito! Deixa pra lá!
Bom, demorei me lembrar de onde vinha à frase que não me saía da cabeça, juro, porque pra quem nasceu e estudou por aqui, deve saber de onde vem, mas eu me lembrava da musiquinha que acompanhava esta frase, que meu pai nem sabia cantar, então inventava (bom “inventador” que era, pra fazer brincadeiras conosco, as filhas). Um desafio pra quem sabe de onde vem... “a luz do céu de Valença”. Claro, fácil, todos sabem, primeira estrofe do estribilho, que me parece do refrão do hino de Valença. Estou errada? Então fui procurar a letra e me espantei, com partes tão claras, outras tão complicadas. E que me desculpem os que acharem pouco apropriado tentar esmiuçar o que pouco conheço, mas o faço pela propriedade da afinidade. Porque quando se diz alguns trechos, o bacana seria, que a prática fosse constante, por todos, de ensinamentos e afirmações tão interessantes. Por exemplo: “porque, longe de selvagem, seu roteiro enche de luz!”... E às vezes alguns de nós, seres humanos, habitantes não só deste pedacinho de céu, como é conhecida Conservatória, mas de toda dona Valença, parecemos animais, e não levamos luz ao nosso próximo. “Sê modesta, mas altiva / a lutar sempre de pé, / que o progresso se cultiva / com Verdade, Amor e Fé!”. Verdade, amor e fé... boa!
E falo por nós. Que seja sob esta luz, do céu de Valença, que nosso Distrito, direcione, sem arrogância, seus refletores de luzes, em direção a todo Município, a fim de que todos possam ganhar igualmente. Analogias a parte, partilhar é bom demais! E me aproprio, a meu modo, das últimas linhas do nosso hino: ser filha tua, que honra imensa / ó minha Terra Adotiva!