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“A vida tá boa”

por Mima
Na semana em que comemoramos São Francisco de Assis, eu, que sou devota deste querido santo, dedico estas linhas para falar de paz e de bem. E com isso, não posso deixar de citar a mim mesma. Sinto muito, mas não dá pra ser diferente. Por que reclamar num momento de tranquilidade, perfeita alegria se não posso estar com a vida melhor? Bom demais quando se tem companhia para viver, e não falo só de família, casamento, amigos, vizinhos, clientes, funcionários, comunidade. Falo de tudo à minha volta, todos os seres vivos, essa natureza imensa que tantas vezes negligenciamos ao abandonar. Aos que não se sentem assim, desejo esperança em dias melhores. O importante é saber olhar e para onde, mesmo que seja pra além do horizonte. Se às vezes me aborreço e posso, corro pra casa, onde tenho plantas lindas e sempre floridas e pra perto dos meus gatinhos, que sempre me dão amor, recompensa agradável. Simples assim.
“A vida tá boa!”. Esta frase é de uma criança de pouco mais de três anos, que me serve de inspiração deste dia em que inicio e termino minha coluna num piscar de olhos, por que estou estourada no tempo do fechamento do jornal e por uma terrível confusão e distração, já é segunda-feira, hora de encaminhar o meu texto.
Maria Clara é filha da amiga Bia, paulistana que atualmente mora na cidade do Rio de Janeiro e de Luciano, um fotógrafo conceituado. Gente inteligente e sensível, que transborda felicidade. Pra mim, uma grande responsabilidade citá-los aqui. Quando paramos e observamos uma criança tão esperta, com tiradas hilárias, doçura e palavras de uma profundidade inigualável, percebemos que isso é presença de Deus e que Deus é amor. Nada, nem ninguém concebido sem amor e cultivado, criado em meio a ele, pode render bons frutos. Se há inveja, desconforto, ambição, maledicência e tantos sentimentos contrários ao verdadeiro sentido da vida, a coisa não anda, desanda mesmo.
É o intercâmbio de pessoas, gerações, classes, línguas, sotaques, profissões, origens étnicas, gostos, nacionalidades, categorias, espécies, raças, ou seja, o que for que nos fazem iguais. Somos semelhantes se transmitimos o bem e colheremos exatamente o que merecemos. Caetano Veloso quando canta: “Aonde o sonho vai, meu sonho vai / Meus sonhos vão” (...) E, você, olê, olá / Olê, olá que é pra canoa não virar / E a vida boa na cabeça vadiar”, e Falamansa: “eu to feliz porque você tá boa, / você tá boa, você tá boa, / não ligue se falaram mal / ou se disseram coisas / da sua pessoa, / se todo mundo fosse igual / era tão legal... mas / é que a gente enjoa” são respostas, somente isso, para uma infinidade de situações que todos os dias passamos e dependendo do ângulo de visão, pode parecer muito bom, ou ruim por demais. O que pra nós é excelente, pode virar a morte, no coração e pela língua de pessoas que não cultivam a paz, que não se doam ao bem. Vamos pensar nisso, antes de abrirmos a boca pra julgar aparências?