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Pierrôs e colombinas

Os benefícios, as opções e as diferentes realidades no município

por Mima
Já é carnaval em Conservatória. Sim CARNAVAL! O clima está no ar. Quem vai querer perder este aquecimento? Começa amanhã, sexta-feira, dia 14, e nos dias 15 e 16 têm mais. É a vez do Carnaval Antigo do distrito, uma festa fora de época que já pegou! Em sua 5ª edição, traz público de diversas partes, para assistir e participar de batalhas de confetes, blocos de sujos, concursos e desfiles, ao som de bandinhas que tocam marchinhas, do tempo da vovó.
Este ano teremos um concurso entusiasmado e simples, vejam só: de fantasia infantil, feita de papel crepom. Existe algo mais original e barato, para motivar as crianças? Aproveite a oportunidade única, de numa tarde de sábado de primavera, poder se divertir em família, levando as crianças para brincar e absorver cultura, ainda com o espírito da competição pelo concurso, coisa que criança adora. Coloque a criatividade para funcionar, esta será uma experiência prazerosa, aposto!
A folia promete pela alegria de toda comunidade, que se mistura aos turistas de longe, que chegam para se hospedar e reviver momentos que por muitos lugares, não voltam mais. Visitantes das cidades vizinhas se aglomeram pela Rua Dr. Luis de Almeida Pinto, lotando bares e calçadas, principalmente para ver o desfile dos carros antigos. Com a participação do Clube do Fordinho, de São Paulo, com veículos das décadas de 20 e 30, de propriedade de apaixonados associados deste clube de “antigomobilismo”, que conduzem seus veículos, acompanhados de pessoas trajando roupas de época - que é a cara de quem curte e conhece as “coisas bem feitas” na localidade. Tudo remete ao passado e a magia é grande. São “fantasias reais”, reproduzindo figurinos inspirados na Comédia Italiana...“Juro para sempre ser Arlequim / E brincar o carnaval / Viver uma fantasia real”, assim diz Ed Motta.
Ver e estar no meio de foliões fantasiados de Clóvis, os barulhentos Bate Bolas, Melindrosas, Pierrôs, Colombinas e Arlequins, ou ser um deles, podendo cantar e dançar em corso pelas ruas, não tem preço.
Na primeira década do século XX o corso era a melhor brincadeira do carnaval carioca. Durante todos os dias, a elite, que possuía automóveis ou podia pagar pelo aluguel de um, desfilava fantasiada, em carros geralmente sem capota e, quando os carros se cruzavam, jogavam uns nos outros, os confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume. Populares desfilavam nos chamados ranchos, geralmente na segunda-feira à noite e a grande sociedade, na noite de terça-feira, porque esta era a importante terça-feira gorda. Como os grandes centros urbanos, por todo Brasil, passaram também a se apresentar em corso, que tiveram origem nos desfiles de carruagens enfeitadas, ainda no século XIX, que nada mais queriam, do que reproduzir as batalhas de flores, dos carnavais europeus. Se tornou tradição, só perdendo espaço nas ruas, quando a sociedade deu preferência aos grandes bailes.
Que Conservatória traga isso de volta. Reviva feliz uma tradição e que venham os ingênuos e sentimentais Pierrôs, com seus pompons e as fúteis e belas Colombinas, lançando no ar o perfume de seus sorrisos. Serpentina neles! Pois “Mais de mil palhaços no salão / O Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão / Foi bom te ver outra vez / Ta fazendo um ano”... Que as máscaras negras caiam, “não me leve a mal: Hoje é carnaval”.