Nossos sacros altares, Viva Santo Antônio e sua bela Matriz!
por MimaLembro-me com o maior carinho do dia em que pela primeira vez entrei na Igreja Matriz de Santo Antônio, em Conservatória. Foi na Páscoa de 2003, para participar da Santa Missa na qual se estaria comemorando a Ação de Graças pelos cinquenta anos de casados do casal Clarice e Paulo Furtado, (ele infelizmente, hoje já falecido, proprietários do Laticínio Clarice). Fiquei deslumbrada, pela solidez daquele templo, belíssima celebração, seguida de delicioso jantar no Hotel Rochedo, foi uma festa para guardar na memória. Agradeço a este convite, aos meus primos Ignês e Nelson de Souza (o Nelson Carroceiro) que era amigo pessoal de seu Paulo. Os casais se casaram com poucos meses de diferença e cresceram a seu modo, cada um na sua condição social, guardando uma amizade pura e de mútuo respeito, algo impressionante de se ver nos dias de hoje. Tudo fruto do caráter inigualável de ambos. E acho que Deus me atendeu em meu pedido, àquele dia, pois é assim que fazemos ao entrarmos pela primeira vez numa igreja, fazemos um pedido, não é? Se sou feliz, saudável e convivo neste ambiente tão agradável que é Conservatória, foi por que tive meu pedido atendido...
A história desta igreja, como templo de pedra é pautada do esforço de muitos, alguns com o intelectual, outros tantos com serviço braçal e muitas doações, que ao longo dos anos, foi solidificando a igreja espiritual, tendo os cristãos e as cristãs, dedicados a esta casa de Deus, cujo endereço é a praça Getúlio Vargas no centro do distrito o título de Altar do Senhor, em Cristo Jesus. Cada altar espiritual oferece a Deus, um sacrifício de vida santa, pois a cada ação em favor do próximo, sobretudo em favor dos mais necessitados, nossos irmãos e irmãs, é ato concreto, é demonstração de amor, é vida cristã...
Citações ao longo da história relatam a presença, já nos idos de 1850, dos primeiros movimentos para a obra de construção desta igreja atual, próxima ao local, onde havia sido perdida por incêndio, a primeira capelinha, datada de 1803, incendiada em 1838, que era de pau-a-pique, coberta de sapé, e que serviu, por muito tempo, para catequizar os índios e primeiros habitantes da região. A obra contou com verbas por doação de moradores abastados e comunidade em geral, verba do governo do Rio de Janeiro e, mais adiante, para reformas, contaram com verbas da Câmara de Vereadores e Prefeitura Municipal de Valença. São 161 anos de muita fé e generosidade, de uma comunidade que acolhe a cada semana, novo rebanho, vindo de todas as partes, são os turistas católicos, que não deixam de estar presentes a missa dominical.
“Com seus 23 metros de frente, 36 de fundos e 25 de altura, no seu ponto mais alto. É uma obra toda em pedra de cantaria, sendo que as pedras das paredes têm 1,60 m de espessura e foram trazidas da fazenda São Luiz, utilizando-se um veículo muito comum na época - a Zorra - que era um gancho de árvore puxado por uma corrente atrelada à canga de uma junta de bois. Possui espaçosa nave central, mais o amplo presbitério com um lindo altar-mor e mais quatro altares laterais construídos com a participação dos fiéis que os dedicavam à veneração dos seus santos de devoção.” Definição extraída da pesquisa de Victor Emmanuel Couto e Helvécio José Marques.
Graças sejam dadas por cada engenheiro, pedreiro, carpinteiro e artesão vindos de Portugal, no século XIX para início destas obras. Aos escravos e a cada pessoa dedicada com a mão de obra, novos engenheiros, arquitetos, eletricistas, pintores, técnicos restauradores, sacerdotes... que, até hoje, dispõem de tempo para que esta igreja seja verdadeiramente um exemplo de Igreja viva, através de um acolhedor templo. Parabéns comunidade. Boa festa, por que assim dizia nosso padroeiro: “É viva a Palavra quando são as obras que falam.”
