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Paredes do Brasil Colonial

por Mima
Por aqui, como por muitos lugares estão colocando abaixo, sem dó nem piedade, construções centenárias. Tudo em nome da ganância, com a desculpa da existência de cupins, se destrói tudo a portas fechadas, escondidos, a espreita como gatunos, verdadeiros larápios do nosso patrimônio histórico, sem o menor critério. Pensam e dizem assim: Se ganhei por herança ou comprei, é meu e faço o que bem quiser. Quando menos se espera, novo comércio abre. Não por isso, mas há que se respeitar as leis. E a fiscalização da Prefeitura? Parece que vai ser mais intensa e não sou eu quem está pedindo não.  Todos tem que estar igualados, em direitos e deveres. Passam para verificações da vigilância sanitária, questões de postura e entregar ofício para se observar a hora da seresta... com ameaça de multas e punições severas para os comerciantes, este último, devido ao Decreto de Nº 250, de 16 de Novembro de 2010, que dispõe sobre o Tombamento do Movimento das Serestas em Conservatória.... E a dor de ver casarões, com paredes de taipa sendo demolidos?
Forros de pinho de riga são substituídos por plástico PVC... Chão de friso, por cerâmica fria... Ignorância ou falta de amor ao próximo? Portas e janelas vão para venda em demolições. Telhas feitas em coxa de escravos somem, (será?) e o amianto ganha espaço. Assim como o vidro e o brilho do alumínio que interfere irritantemente no gostoso clima campal.
Conheci a uns anos, a mística cidade mineira de São Tomé das Letras (camada Cidades das Pedras, a quarta cidade mais alta do Brasil). Nunca mais voltei, porque fui em busca das casas construídas com pedras, que davam um ar “medieval”, uma riqueza. Cheguei na maior felicidade, porque os guias diziam que iríamos conhecer o Vale das Borboletas, a Pirâmide, construção de onde se avista uma vastidão ( são 360 degraus até lá em cima, ufa!). Tinham histórias de aparição de discos voadores (não que eu acredite ou quisesse ver), mas enfim, a região tinha um apelo bacana, merecia ser visitada, assim como a nossa Serra da Beleza também atrai a quem busca por este tipo de aventura. Não sei a quantas anda o turismo por lá, mas eu que a conheci pelos anos 80, nunca mais quis voltar, principalmente porque deparei-me com um amontoado  de ossos de gado pelo caminho (macabro!), uma sucessão de lojas de artesanato, vendendo pedras coloridas e bruxas, confeccionadas em vários materiais, tudo repetido, uma atrás da outra. E construções de tijolos (sem reboco), casas de alvenaria, sem telhado e com caixas d’água de plástico azul aparecendo... Poxa, ainda não ter avistado um OVNI (objeto voador não identificado) ou borboleta, que azar!
Comento isso, como exemplo da visão do turista, que vem a nossa Conservatória, pra ver o que? Nossa construção de Brasil colonial e apreciar as serenatas. Isso que importa! Belezas naturais preservadas, cultura, paz e tranquilidade. E se boa parte se for, a cada ano, por culpa dos tais dos cupins, da ignorância e mais uma vez digo, da ganância? Como será que está São Tomé? Só vendo, pra crer. É uma cidade que detém o selo de Potencial Turístico oferecido pelo Ministério do Turismo, pelo destaque no contexto histórico e riquezas naturais, com diversas grutas e cachoeiras e mesmo assim, me espantou, tantos anos atrás.
Neste final de semana, tivemos eventos tão graciosos por aqui... Com jeitinho de cidadezinha pacata e uma invasão de ônibus de excursão, que trazem os que imaginamos virão alavancar as finanças do nosso sofrido povo e comércio... mas, a coisa anda preta... O povo que chega quer negociar em dez vezes, sem juros o almoço e a janta e leva poucas lembranças, cada vez menos. Complicado!
Mas vamos seguindo felizes, em nossa ilusão.
(...) “Quanta gente aí se engana... E cai da cama... Com toda a ilusão que sonhou” (...) claramente diz Paulinho da Viola, em Pecado Capital